quinta-feira, 1 de agosto de 2013


Figuras de linguagem 
Parte II

2. Figuras sintáticas ou de construção

As figuras sintáticas ou de construção dizem respeito a desvio a concordância entre os termos da oração e a ordem em que estes termos aparecem ou ainda as possíveis repetições ou omissões de termos. São alterações expressivas. Elas demonstram a possibilidade de cada indivíduo transmitir uma mesma ideia de formas diferentes

2.1 Silepse

É a figura de construção que a concordância não é feita de acordo com as palavras que efetivamente aparecem na oração mas segundo a ideia a elas associadas ou segundo um termo subtendido. A silepse pode ser de gênero, número ou pessoa.

a) silepse de gênero: ocorre quando há discordância entre os gêneros gramaticais (masculino ou feminino) de artigos e substantivos e adjetivos etc. 

Ex:
  • São Paulo é movimentada.
     (a cidade)

  • A Bandeirantes está cada dia mais congestionada.
  Bandeirantes: gênero masculino plural.

b) Silepse de número: Ocorre quando envolve o número gramatical (singular ou plural). O caso mais comum de silepse de numero é o do substantivo singular que, por se referir a uma ideia de plural leva os verbos e/ou adjetivo para o plural.

  • Corria gente de todos os lados e gritavam.
      verbo no plural concordando com a ideia.

  • Os Luziadas glorificou nossa literatura.
     O verbo concorda com a ideia da frase.

c) Silepse de pessoa: Há discordância entre o sujeito expresso e a pessoa verbal.

  • Os brasileiros choramos a derrota da seleção.
     (1º pessoa do plural)

Os dois andávamos distraídos

2.2 Elipse

É a omissão de um termo de uma oração inteira sendo que essa omissão geralmente fica subtendida pelo contexto.

Ex:
  • Como estávamos com pressa, preferi não entrar.
    Omissão dos pronomes nós, eu
2.3 Zeugma (do grego zeugma, junção)

Quando um termo omitido já estiver expresso anteriormente trata-se de um caso especial de elipse.
Ex:

  • "Você me conta um verso e eu te escrevo outro".
        (Eu escrevo outro verso.)

2.4 Polissíndeto/ 2.5 Assindeto


No período composto por coordenação podemos ter orações sindéticas e assindéticas, o adjetivo sindético vem do grego e significa "o que serve/para unir ligar por uma, se não apresentar conectivo e assindética (a indica ausência).

a) Polissíndeto: é uma figura caracterizada pela ausência pela omissão das conjunções coordenativas.

b) Assíndeto: pelo contrário é uma figura caracterizada pela ausência pela omissão das conjunções coordenativas,teremos então um período composto por orações coordenadas assindéticas.

Ex:

a) Vão chegando as burguesinhas pobres e as crianças das burguesias ricas e as mulheres do povo e as lavadeiras da redondeza.

b) espera, seja feliz.

2.6 Anáfora

É a figura de linguagem que consiste na repetição da mesma palavra ou construção no início de várias orações ou versos.

Ex:

Se você gritasse
Se você gemesse
Se você tocasse
a valsa vienense
Se você dormisse
Se você cansasse
Se você morrese...
Mas você não morre
você é duro José.
(Carlos Drummond de Andrade)

2.7 Pleonasmo (do grego pleonasmós, superabundância)

Consiste na repetição de um termo ou uma ideia mas que envolve uma redundância.
É um recurso estilístico quando tem a função de realçar uma ideia, torná-la mais expressiva, dai chama-se pleonasmo. Há repetição desnecessária tanto do ponto de vista sintático quanto do ponto de vista semântico.

Ex:

  • "Vi, claramente visto, o lume vivo que a marítima tem por santo."
obs: Pleonasmo vicioso.

Entrar pra dentro.
Subir pra cima.

Para a norma culta isso é um defeito de linguagem.

2.8 Hipérbato/Inversão (do grego hiperbaton"transposição")

É a figura que consiste na inversão da ordem direta dos termos da oração.
Ex:
  • Passeiam, à tarde as belas na avenida.
                                   (Carlos Drummond)

2.9 Anacoluto

É afigura sintática que ocorre quando um termo antecipado fica desligado sintaticamente da oração sofreu ou seja consiste numa ruptura da ordem lógica da frase uma quebra na estrutura sintática para uma expressão uma ideia sem nexo sintático da frase.

Ex: 
A rua onde moras, é nela que eu desejo morar.
A rua onde moras: sem função sintática
é nela: adj. adverbial de lugar

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Figuras de Linguagem

Figuras de linguagem

Parte I



As figuras de linguagens são formas de expressão que consistem no emprego de palavras em sentido figurado, isto é, um sentido diferente daquele em que convencionalmente são empregadas.

As figuras de linguagem dividem-se em quatro categorias, sendo elas:

1. Figuras de palavras;
2. Figuras sintáticas ou de construção;
3. Figuras de pensamento;
4. Figuras de harmonia.


Iniciemos então com as figuras de palavras.

1. Figuras de palavras.

As figuras de palavras consistem no emprego de um termo, um sentido diferente daquele em que esse termo é empregado.
Elas podem ser utilizadas tanto para tornar mais expressiva aquilo que queremos comunicar quanto para suprimir a falta de um termo adequado que designe alguma coisa.
Além disso estas fazem com que a língua se torne mais econômica, uma vez que uma palavra dependendo do contexto pode assumir os mais diferentes significados.

São as seguintes figuras de palavras:

1.1  Comparação simples.

É uma comparação entre dois elementos de um mesmo universo.

  • Este time é melhor do que aquele.
  • O meu caderno tem mais páginas que o seu.

1.2 Comparação metafórica (símile)

É uma comparação entre dois (objetos) elementos de universos diferentes.

  • Esta criança é como um touro.
  • Ele chorou feito um condenado.

Nesses casos observa-se uma semelhança ou uma característica que aproxima ambos.
Na comparação metafórica usamos palavras ou expressões que estabelecem a relação entre os termos comparados. Nesse tipo de construção, aparecem os conectivos comparativos: como, feito, que nem, assim como, tal, tal qual, etc.
São chamadas de comparação metafórica pois elas dependem muito do sujeito que as enuncia da sua sensibilidade do seu estado de espirito da sua experiência.
É a subjetividade que faz com que a comparação metafórica seja bastante diferente da comparação simples.

1.3 Metáfora.

"Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol.
E anda pela mão das Estações
A  seguir e a olhar." 
                                   Fernando Pessoa

É a figura de palavra em que um termo substitui outro em vista de uma relação de semelhança entre os elementos que esse termo designa. Essa semelhança é resultado da imaginação da subjetividade  de quem cria a mensagem.
Na comparação metafórica um elemento A é comparado a um elemento B através de um conectivo comparativo. Muitas vezes a comparação metafórica traz expressa no próprio enunciado a qualidade comum entre dois elementos

Esta criança é forte como um touro.

temos aqui um elemento A = criança
um elemento B = touro
uma característica comum = forte
ligados por um conectivo = como

Já na comparação metafórica a qualidade comum e o conectivo não são expressos e a semelhança entre os elementos A e B passa a ser puramente mental.

Esta criança é um touro.

As palavras sublinhadas são elementos, atribuições de características.

Diante de fatos e coisas novas que não fazem parte da  experiência de associar fatos e coisas que  já se conhece é que faz com que surjam as metáforas.

Ex: 
  • Peixe-espada 
  • Voto-camarão
  • Cheque-borracha

Muitos verbos são usados no sentido metafórico

  • O relógio pingava as horas uma a uma vagarosamente.

Expressões metafóricas:

  • Ter o rei na barriga
  • Saltar de banda
  • Ir para o olho da rua

1.4 Catacrese 

É um tipo especial de metáfora a catacrese não é mais a expressão subjetiva de um individuo, mas ja foi incorporada por todos os falantes da língua passando a ser uma metáfora corriqueira e portanto, pouco original

Ex:
  •  O poema está no pé da página.

Muitas vezes é difícil perceber a catacrese justamente pelo fato de ela ter se tornado comum, corriqueira.

Ex:
  • Pé-da-mesa
  • Maça-do-rosto
  • Cabelo do milho

1.5 Sinestesia

É outro tipo de metáfora, consiste em aproximar na mesma expressão sensações percebidas por diferentes órgãos dos sentidos. Como na metáfora, trata-se de relacionar elementos de universos diferentes.

  • Uma voz áspera intimida a platéia.

Voz (sensação auditiva)
Áspera (sensação tátil)

1.6 Metonímia

Consiste na substituição de um termo por outro, em que a relação entre os elementos que esses termos designam não depende exclusivamente do indivíduo mas da ligação objetiva que esse elemento mostra com a realidade.
Na metonímia um termo substitui outro, não porque a nossa sensibilidade estabeleça uma relação de semelhança entre os elementos tem de fato, uma relação de dependência. Dizemos que na metonímia há uma relação de continuidade entre o sentido do termo que constitui.

a) da causa pelo efeito;

  • Sou alérgico à cigarro. 
cigarro é a causa, a fumaça o efeito.

b) do efeito pela causa;

  • Ele ganha a vida com o suor

c) O abstrato pelo concreto;

  • O amor não ver defeitos

d) do continente pelo conteúdo

  • Ele é capaz de comer vários pacotes de bolachas

e) do nome do lugar pela coisa nele produzida;

Compramos uma garrafa do legítimo porto.

f) do nome do autor pela obra.

  • Gosto de ouvir Mozart
  • Ele Comprou um Portinari

1.7 Sinédoque

É  a substituição de um termo por outro, em que os sentidos desses termos tem uma relação extensa de extensão desigual. Na sinédoque há uma ampliação ou uma redução do sentido usual da palavra.

  • Comer o pão com o suor do rosto

1.8 Antonomásia

O processo de formação das antonomásias é semelhante ao de formação dos apelidos.

Leia atentamente a sentença abaixo, extraída da 


Revista Veja:



“O apelido mais célebre ainda é ‘Dama de Ferro’, mas nas últimas semanas ela se tornou também a ‘Altamiranta Tatcher’ (…)”.

No trecho acima, o autor usa a expressão “Dama de Ferro” para designar a primeira-ministra da Inglaterra, Margaret Thatcher, substituindo seu nome por uma característica da qual se tornou notória.

“O seminário de segunda-feira será sobre o ‘poeta dos escravos’.”

Nesta sentença, a expressão “poeta dos escravos” foi usada para designar o poeta “Castro Alves”, que se tornou conhecido por escrever “O Navio Negreiro”, poema épico-dramático que denuncia a escravização e o modo de transportar os negros para o Brasil, apesar de já vigorar aqui a Lei Euzébio de Queiroz

Quando designamos uma pessoa pelos seus atributos ou por referências a circunstâncias em que se envolveu, estamos fazendo uso da antonomásia. Essa figura de linguagem é muito utilizada nos textos escritos e falados.

Veja alguns exemplos de antonomásia muito comuns no cotidiano:

“O repórter de Canudos” – Euclides da Cunha.
“O engenheiro da palavra” – João Cabral de Melo Neto.
“O rei do cangaço” – Lampião.
“O rei do pop” – Michael Jackson.
“O rei do futebol” – Pelé.
“O Rei” – Roberto Carlos.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS





PIRES, Orlando. Manual de Teoria e Técnica Literária. Rio de Janeiro, Presença, 1981, p. 102.

SAVIOLE, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15 ed. São Paulo, Ática, 404-5.
http://www.infoescola.com/linguistica/antonomasia/










terça-feira, 25 de junho de 2013

Linguagem, comunicação e interação


Você conhece Mafalda? Ela é personagem de Quino, cartunista e quadrinista argentino. Leia esta História.





Observe esta charge também:



Podemos perceber que nas duas charges os personagens estão em uma situação de comunicação é baseando-se nessas duas histórias que iremos compreender um pouco do que seja Linguagem, comunicação e interação.
Quando duas pessoas se comunicam, elas levam em conta não apenas o que é dito, mas também outros elementos da situação. Tais elementos são, por exemplo, o contexto, quem fala e com quem se fala, a imagem de si própria que cada uma das pessoas tem ou deseja transmitir para a outra, etc. Esses vários elementos da situação fazem parte do jogo social da linguagem.
Nas situações retratadas nas tiras percebemos que as personagens se comunicam e se interagem entre si, ou seja o que um personagem diz acaba provocando uma reação na outra e vice-versa. Na primeira situação percebe-se que os personagens estão em um ambiente escolar onde a professora faz um questionamento direcionado ao Manolito que estimulou ao personagem a dar a sua resposta e consequentemente levou a Mafalda expor seu ponto de vista por estar naquele contexto.
Na segunda situação temos Calvin e Haroldo. No diálogo Haroldo com seus questionamentos leva a Calvin perceber implicitamente que o corte do seu cabelo da forma que ele queria cortar não focaria tão bom assim. 
Sendo assim observamos que nas duas charges os personagens estão em uma situação de comunicação.

Nesse sentindo podemos depreender que:

A COMUNICAÇÃO: Ocorre quando interagimos com outras pessoas utilizando linguagens.

Observamos na comunicação das histórias que os personagens não utilizaram apenas palavas. Elas gesticulam, fazem expressões faciais, expressões corporais como forma integrante da linguagem.

Portanto:

LINGUAGEM: é um processo comunicativo pelo qual as pessoas interagem entre si.

Nas tiras acima os personagens inter-relacionam e interagem por meio da linguagem. Assim, pode-se dizer que a comunicação nascida da interação entre essas pessoas foi construída solidariamente por elas, que são interlocutores no processo comunicativo

INTERLOCUTORES: São as pessoas que participam do processo de interação por meio da linguagem.

Aquele que produz a linguagem é chamado de locutor, e aquele que recebe a linguagem é chamado de locutário. No processo de comunicação e interação, ambos são interlocutores.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

CEREJA, Willian Roberto & Magalhães, Tereza Cochar. Português Linguagens: vol.1. São Paulo: Saraiva, 2010.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Denotação e conotação


Observe os textos a seguir:

Texto 1


O Taxista 

Compositor: Roberto Carlos - Erasmo Carlos

Saio logo cedo no meu carro
Ninguém sabe o meu destino
Num aceno eu paro, abro a porta
E entra alguém sempre benvindo
Elegante ou mal vestido
Velho, moço ou até menino
Fecha a porta, diz aonde vai
E tudo bem, eu já 'tô indo

Sou taxista
'Tô na rua, 'tô na pista
Não 'tô no palco
Mas no asfalto eu sou um artista

Ouço todo tipo de conversa
O tempo todo 'tô ligado
Só me meto, dou palpite, dou conselho
Quando sou chamado

No meu carro ouço histórias
Desabafos, risos todo o ano
Sou de tudo um pouco nessa vida
Eu sou um analista urbano

Sou taxista
'Tô na rua, 'tô na pista
Não 'tô no palco
Mas no asfalto eu sou um artista

O papo é sempre o mesmo
Pra puxar qualquer assunto a qualquer hora
Que trânsito, que chuva, que calor
Mas logo mais isso melhora

Tento agradar a todo mundo
E trabalhar sempre sorrindo
Mas sou um ser humano
E só eu sei às vezes o que estou sentindo

Sou taxista
'Tô na rua, 'tô na pista
Não 'tô no palco
Mas no asfalto eu sou um artista


O cansaço, a solidão
Aperta o coração na madrugada (*)
Mas a missão cumprida me desperta
É hora de voltar pra casa

Dou graças a Deus que lindos filhos
E a mulher em paz sorrindo
Valeu a hora extra pra com eles
Ter a folga de domingo

Sou taxista
'Tô na rua, 'tô na pista
Não 'tô no palco
Mas no asfalto eu sou um artista

Texto 2


Receita

Ingredientes

2 conflitos de gerações
4 esperanças perdidas
3 litros de sangue fervido
5 sonhos eróticos
2 canções dos beatles

Modo de preparar

Dissolva os sonhos eróticos
nos dois litros de sangue fervido
e deixe gelar seu coração.

Leve a mistura ao fogo,
adicionando dois conflitos
de gerações às esperanças perdidas.

Corte tudo em pedacinhos
e repita com as canções dos
beatles o mesmo processo usado
com os sonhos eróticos, mas desta
vez deixe ferver um pouco mais e
mexa até dissolver.

Parte do sangue pode ser
substituído por suco de
groselha, mas os resultados
não serão os mesmos.
Sirva o poema simples
ou com ilusões.
(Nicolas Behr)


Como já vimos, a linguagem humana difere da comunicação animal por envolver um trabalho mental, pois o homem, ao contrário do animal, retém o significado de uma palavra. E mais: o homem tem imaginação criadora e usa frequentemente. Dessa forma, na linguagem humana, uma mesma palavra pode ter seu significado ampliado, remetendo-nos a novos conceitos por meio de associações, dependendo de sua colocação numa determinada frase.

Como podemos observar no texto 1 "O Taxista " encontramos as palavras em sentido conforme consta no dicionário: taxista, tô na rua, tô na pista. já o texto 2 "Receita" as palavras teve o seu significado ampliado, e por uma série de associações, entendemos que nesse caso, "litros de sangue fervido", "gelar seu coração" não estão em sentido de dicionário.
No primeiro exemplo, apresenta seu sentido original, impessoal, independente do contexto, tal como aparece no dicionário, nesse caso, prevalece o sentido denotativo - ou denotação - signo linguístico.
No segundo exemplo, a palavra aparece com seu significado alterado, passível de interpretações diferentes, dependendo do contexto em que é empregada; nesse caso prevalece o sentido conotativo - ou conotação - do signo linguístico.

Estes dois conceitos são muito fáceis de entender se lembrarmos de duas partes  distintas, mas interdependentes, que constituem  o signo linguístico:
  • O significante ou plano da expressão;
  • O significado ou parte perceptível.

Conceituando:

DENOTAÇÃO: É o resultado da união existente entre o significante e o significado, ou entre o plano da expressão e o plano do conteúdo.

CONOTAÇÃO: A  conotação resulta do acréscimo de outros significados paralelos ao significado base da palavra, isto é, um outro plano de conteúdo que pode ser combinado ao plano da expressão. Este outro plano de conteúdo reveste-se de impressões, valores afetivos e sociais, negativos ou positivos, reações psíquicas que um signo evoca.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA


CEREJA, Willian Roberto & Magalhães, Tereza Cochar. Português Linguagens: vol.1. São Paulo: Saraiva, 2010.
FIORIN, José Luiz & SAVIOLI, Francisco Platão. Para entender o texto, leitura e redação. 9. ed. São Paulo: Ática, 2005.
TERRA, Ernani & Nicola, José de. Práticas de linguagem: leitura & produção de texto. São Paulo: Scipione, 2001.






quarta-feira, 30 de janeiro de 2013



Intertextualidade, interdiscursividade e paródia

Você com certeza já conhece a Monalisa do famoso pintor Leonardo da Vinci, um dos mais famosos pintores renascentista e também conhece o criador da turma da Mônica,  Maurício de Sousa. Vamos observar as figuras abaixo:




Ao lado da tela de Leonardo da Vinci, temos uma criação de Maurício de Sousa, um cartunista brasileiro, ao criar o quadro Maurício de Sousa não tinha a intenção de imitar o quadro de Da Vinci, mas sim "dialogar"  com o mesmo e criando humor a partir dele.

Observe os trechos que seguem:

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas tem mais flores,
Nossos bosques tem mais vida,
Nossa vida mais amores.
                                                (DIAS, Gonçalves. Canção do Exílio)

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos lindos campos tem mais flores:
"Nossos Bosques tem mais vida"
"Nossa Vida", no teu seio, "mais amores".
                                                                  (Hino Nacional Brasileiro)

Nossas flores são mais bonitas
Nossas frutas mais gostosas
mas custam mil réis a dúzia.
                                               (MENDES, Murilo. Canção do Exílio)

Os três textos são semelhantes. O que se observa é que o texto de Murilo Mendes e o trecho da letra do Hino Nacional, fazem alusão ao texto de Gonçalves Dias, assim como o cartum de Maurício de Sousa faz referência ao quadro de Leonardo da Vinci. Quando um texto cita outro, dizemos que entre eles existe intertextualidade.

Intertextualidade: é a relação entre dois textos caracterizada por um citar o outro.

A intertextualidade pode aparecer em um texto de forma implícita ou explicita.

Intertextualidade implícita: acontece quando um poeta, cartunista, romancista não indicam o autor e a obra donde retira as passagens citadas, pois pressupõe que o leitor compartilhe com ele um mesmo conjunto de informações a respeito das obras que compõem um universo cultural.

Intertextualidade explicita: O texto citado vem entre aspas e em nota indica-se o autor e o livro donde se extraiu a citação.

Agora vamos observar esses dois poemas:

Meus Oito anos

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem, mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
[...]
   (Cassimiro de Abreu)

Meus Oito Anos

Oh que saudades que eu tenho
Da aurora de minha vida
Das horas
De minha infância
Que os anos não trazem mais
Naquele quintal de terra
Da Rua de Santo Antônio
Debaixo da bananeira
Sem nenhum laranjais
[...]
(Oswald de Andrade)

O primeiro texto, de Cassimiro de Abre, foi escrito no século XIX; o segundo texto, de Oswald de Andrade, foi escrito no século XX. As semelhanças entre os textos são evidentes, pois o assunto deles é o mesmo e há versos inteiros que se repetem.
Nesse tipo de relação estabelecida entre os textos, não há apenas intertextualidade. Há uma relação mais abrangente, que envolvem dois discursos poéticos distintos, duas formas diferentes de ver a infância: a de Casimiro de Abreu, mais idealizada e romântica, a a de Oswald de Andrade, moderna e antissentimental  A esse tipo de relação entre discursos, quando se evidenciam os elementos da situação de produção - quem fez, para que, em que momento histórico, com qual finalidade, etc. - chamamos interdiscursividade.

Interdiscursividade: é a relação entre dois discursos caracterizada  por um o citar outro.

O tipo de relação existente entre os dois textos também é chamado de paródia.

Paródia: é um tipo de relação intertextual em que um texto cita outro geralmente com o objetivo de fazer-lhe uma crítica ou inverter ou distorcer suas ideias.

A percepção das relações intertextuais, das referências de um texto a outro, depende do repertorio do leitor, do seu acervo de conhecimentos literários e de outras manifestações culturais. Daí a importância da leitura, principalmente daquelas obras que constituem as grandes fontes da literatura universal. Quanto mais se lê, mais se amplia a competência para aprender o diálogo que os textos travam entre si por meio de referências, citações e alusões. Por isso cada livro que se lê torna maior a capacidade de aprender, de maneira mais completa, o sentido dos textos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CEREJA, Willian Roberto & Magalhães, Tereza Cochar. Português Linguagens: vol.1. São Paulo: Saraiva, 2010.
FIORIN, José Luiz & SAVIOLI, Francisco Platão. Para entender o texto, leitura e redação. 9. ed. São Paulo: Ática, 2005.
TERRA, Ernani & Nicola, José de. Práticas de linguagem: leitura & produção de texto. São Paulo: Scipione, 2001.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013


FUNÇÕES DA LINGUAGEM


"Uma pessoa quer sempre convencer a outra com seus argumentos. Nós regulamos a nossa linguagem em função do ouvinte.”
(Dino Pretti)

“Toda vez que interagimos com outras pessoas por meio da linguagem, sempre há em nossa fala uma intenção de modificar o pensamento ou o comportamento de nossos interlocutores.”
(Cereja e Magalhães)

Em todo ato de comunicação existe uma intenção por parte do emissor da mensagem, nela vai predominar uma determinada função da linguagem. A função, portanto, está intimamente relacionada ao objetivo do emissor da mensagem, seja ela verbal ou não-verbal.
Antes de iniciarmos o estudo de cada uma das funções da linguagem tenha em mente o seguinte:

1) Ao estudar uma mensagem, devemos considerar sua função na situação de comunicação em que essa mensagem foi produzida.

2) Mesmo que não tenha consciência ou conhecimento das funções da linguagem - e a maioria das pessoas não tem esse conhecimento - , o emissor sempre vai montar sua mensagem de acordo com a finalidade pretendida.

3) Nenhuma mensagem apresenta uma única função da linguagem: uma das funções será predominante, mas nunca exclusiva, única.

As funções da linguagem são as seguintes

1) referêncial ou denotativa;
2) emotiva ou expressiva;
3) fática
4) conativa ou apelativa;
5) metalinguistica;
6) poética.

- FUNÇÃO REFERENCIAL OU DENOTATIVA -


         

Leia a notícia:

FURTO

Arrombador preso 

O desocupado V.M., 27 anos, foi preso ontem à tarde porque estava arrombando casas no Rio Tavares, em Florianópolis. Comissários da 2ª. DP do Saco de Limões encontraram na casa de V.M., na estrada geral do Rio Tavares, uma televisão furtada de T.M.


No texto:

  • Expõe-se uma informação de modo objetivo: o emissor não faz comentários nem expressa julgamentos, isto é, não avalia se o fato é bom ou ruim, certo ou errado, útil ou inútil etc. Ele simplesmente traduz em palavras, de forma objetiva e direta, um fato acontecido;
  • Não há palavras empregadas em sentindo figurado;
  • A noticia não permite mais de uma interpretação;
  • Todos os leitores que tenham o mesmo nível de conhecimento da língua entenderão o texto basicamente da mesma forma (maneira). Essa compreensão não depende de sentimentos, de juízos críticos, de emoções etc., pois as palavras foram organizadas de modo a informar objetivamente um fato;
  • Citam nomes de pessoas que existem ou existiram.


No texto lido predomina a função referencial ou denotativa da linguagem.

Resumindo

Função referencial: é a mais comum das funções da linguagem e centra-se na informação. A intenção do emissor de uma mensagem em que predomina essa função é transmitir ao interlocutor dados da realidade de uma forma direta e objetiva, sem ambiguidades, com palavras empregadas no seu sentido denotativo.


- FUNÇÃO EMOTIVA OU EXPRESSIVA -



Leia:

Vivi momentos de intensa beleza à noite, quando fazia passeios à proa do navio (...) Numa dessas noites, assisti pela primeira vez na vida a um espetáculo quase irreal, que muitos velhos marujos ainda não tiveram a felicidade de ver: um arco-íris de lua. Em plena noite de lua cheia, chovendo ao sul, um fantástico arco-íris no céu... (KLINK, Amyr. Cem dias entre o céu e mar. 25 ed. Rio de Janéiro, José Olympio, 1985. p.15)

O autor do texto conta suas aventuras no mar na narrativa:

  • O emissor está centrado em si mesmo: trata das suas emoções, sensações. Por isso, há verbos na primeira pessoa ("vivi, assisti"); 
  • O narrador manifesta opiniões com as quais outras pessoas podem ou não concordar: "intensa beleza", "fantástico arco-íris". Portanto, o narrador retrata a realidade subjetivamente, do seu ponto de vista, e não objetivamente;
  • Percebem-se as emoções do narrador;
  • No final do texto, ocorrem reticências; este sinal de pontuação pode revelar, na língua escrita, o envolvimento emocional do emissor;
  • São comuns em texto desse tipo também os pontos de exclamação e de interrogação;
  • A função emotiva pode aparecer em texto não-verbal. Podemos citar como exemplo as caricaturas, uma vez que o emissor exagera uma característica da personagem ou pessoa retratada. 

RESUMINDO

Função emotiva: Temos essa função quando a intenção do produtor do texto é posicionar-se em relação ao tema que está abordando, é expressar seus sentimentos e emoções, o texto resultante é subjetivo, um espelho do animo, das emoções, do temperamento do emissor.

- FUNÇÃO FÁTICA - 



Leia:

Achei legal o panorama. Hiper, não acha?
Muito! A maior lua, tá entendendo? E a gente lá, é isso aí...

  • O texto não é objetivo. trata-se de uma fala vaga, cheia de rodeios. Na verdade o emissor transmite pouca informação;
  • A mensagem apresenta expressões imprecisas: "legal", "hiper", " é isso ai";
  • O emissor testa o canal com o ouvinte: "não acha?", "tá entendendo?".


Nessa mensagem predomina a função fática da linguagem.
Nesse caso, a informação que se transmite é secundária, pois o objetivo mais imediato do emissor é simplesmente manter aberto o canal de comunicação entre ele e o ouvinte.
Além de ser utilizada para testar o canal, a função fática também ocorre quando o emissor:

a) Quer iniciar a comunicação:

- Olá como vai? - perguntou o homem de olhos empapuçados. (Graciliano Ramos)

b) visa prolongar o contato com seu receptor:

- Ela não desanima nunca... você concorda? não acha?

c) deseja interromper o ato da comunicação:

- Qualquer dia, amigo eu volto a te encontrar.
Qualquer dia, amigo, a gente vai  se encontrar. (Milton Nascimento/ Fernando Brant)

RESUMINDO

Função Fática: A função fática ocorre quando o emissor deseja verificar se o canal de comunicação está funcionando ou se ele está sendo compreendido pelas pessoas que o ouvem.


- FUNÇÃO CONATIVA OU APELATIVA -

Atente para a seguinte mensagem publicitária:



O objetivo do emissor é influenciar o comportamento do receptor, levando-o a adquirir o produto;
O texto estrutura-se em tornos de verbos no modo imperativo (modo que empregamos para expressar ordem, desejo, convite, apelo)
Nas mensagens com função conativa ou apelativa é também comum a ocorrência de vocativos;
Nos horóscopos e nas receitas culinárias costuma predominar a função conativa;
A função conativa ocorre em mensagens não-verbais presentes na sinalização de trânsito.

RESUMINDO

A Função conativa: Ocorre quando a intenção do produtor da mensagem é influenciar, envolver, persuadir o destinatário.

- FUNÇÃO METALINGUÍSTICA -


Leia:

fornido [Part. de fornir] adj.
1. Abastecido, provido.
2. Robusto, carnudo, nutrido, alentado: "Era uma mulata fornida, de ancas largas, nova e sadia..." (Francisco Julião, cachaça, p.23)
(Dicionário Aurélio Eletrônico)

Nessa mensagem, utiliza-se o código (língua portuguesa) para explicar um elemento do próprio código ( a palavra fornido).
Quando o código é utilizado como assunto ou explicação do próprio código ocorre a função metalinguística, também chamada de metalinguagem.

RESUMINDO

Função metalinguística: Ocorre quando a preocupação do emissor está voltada para o próprio código utilizado, ou seja, o código tema da mensagem ou é utilizado para explicar o próprio código.


- FUNÇÃO POÉTICA - 


Soneto Do Amor Total

Vinicius de Moraes

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.


Quando a intenção do produtor do texto está voltado para a própria mensagem, para uma especial arrumação das palavras, quer na escolha, quer na combinação delas, quer na organização sintática da frase, temos a função poética da linguagem.
Ao selecionar e combinar de maneira particular e especial as palavras, o produtor da mensagem busca alguns elementos fundamentais: ritmo, sonoridade, o belo e inusitado das imagens, valores conativos, figuras de palavras.
A utilização de todos esses recursos mostra que o poeta deu grande importância a construção dessa mensagem.

RESUMINDO

Função poética:Caracteriza-se basicamente pelo uso de linguagem figurada, metáforas e demais figuras de linguagem, rima, métrica, etc. É semelhante à linguagem emotiva, sendo que não necessariamente revela sentimentos ou impressões a respeito do mundo.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FARACO, Carlos Emílio & MOURA, Francisco Marto. Língua e literatura. 38 ed. São Paulo: Ática, 1996.
TERRA, Ernani & NICOLA, José de. Práticas de Linguagem: leitura & produção de texto.  São Paulo: Scipione, 2001.