quarta-feira, 31 de julho de 2013

Figuras de Linguagem

Figuras de linguagem

Parte I



As figuras de linguagens são formas de expressão que consistem no emprego de palavras em sentido figurado, isto é, um sentido diferente daquele em que convencionalmente são empregadas.

As figuras de linguagem dividem-se em quatro categorias, sendo elas:

1. Figuras de palavras;
2. Figuras sintáticas ou de construção;
3. Figuras de pensamento;
4. Figuras de harmonia.


Iniciemos então com as figuras de palavras.

1. Figuras de palavras.

As figuras de palavras consistem no emprego de um termo, um sentido diferente daquele em que esse termo é empregado.
Elas podem ser utilizadas tanto para tornar mais expressiva aquilo que queremos comunicar quanto para suprimir a falta de um termo adequado que designe alguma coisa.
Além disso estas fazem com que a língua se torne mais econômica, uma vez que uma palavra dependendo do contexto pode assumir os mais diferentes significados.

São as seguintes figuras de palavras:

1.1  Comparação simples.

É uma comparação entre dois elementos de um mesmo universo.

  • Este time é melhor do que aquele.
  • O meu caderno tem mais páginas que o seu.

1.2 Comparação metafórica (símile)

É uma comparação entre dois (objetos) elementos de universos diferentes.

  • Esta criança é como um touro.
  • Ele chorou feito um condenado.

Nesses casos observa-se uma semelhança ou uma característica que aproxima ambos.
Na comparação metafórica usamos palavras ou expressões que estabelecem a relação entre os termos comparados. Nesse tipo de construção, aparecem os conectivos comparativos: como, feito, que nem, assim como, tal, tal qual, etc.
São chamadas de comparação metafórica pois elas dependem muito do sujeito que as enuncia da sua sensibilidade do seu estado de espirito da sua experiência.
É a subjetividade que faz com que a comparação metafórica seja bastante diferente da comparação simples.

1.3 Metáfora.

"Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol.
E anda pela mão das Estações
A  seguir e a olhar." 
                                   Fernando Pessoa

É a figura de palavra em que um termo substitui outro em vista de uma relação de semelhança entre os elementos que esse termo designa. Essa semelhança é resultado da imaginação da subjetividade  de quem cria a mensagem.
Na comparação metafórica um elemento A é comparado a um elemento B através de um conectivo comparativo. Muitas vezes a comparação metafórica traz expressa no próprio enunciado a qualidade comum entre dois elementos

Esta criança é forte como um touro.

temos aqui um elemento A = criança
um elemento B = touro
uma característica comum = forte
ligados por um conectivo = como

Já na comparação metafórica a qualidade comum e o conectivo não são expressos e a semelhança entre os elementos A e B passa a ser puramente mental.

Esta criança é um touro.

As palavras sublinhadas são elementos, atribuições de características.

Diante de fatos e coisas novas que não fazem parte da  experiência de associar fatos e coisas que  já se conhece é que faz com que surjam as metáforas.

Ex: 
  • Peixe-espada 
  • Voto-camarão
  • Cheque-borracha

Muitos verbos são usados no sentido metafórico

  • O relógio pingava as horas uma a uma vagarosamente.

Expressões metafóricas:

  • Ter o rei na barriga
  • Saltar de banda
  • Ir para o olho da rua

1.4 Catacrese 

É um tipo especial de metáfora a catacrese não é mais a expressão subjetiva de um individuo, mas ja foi incorporada por todos os falantes da língua passando a ser uma metáfora corriqueira e portanto, pouco original

Ex:
  •  O poema está no pé da página.

Muitas vezes é difícil perceber a catacrese justamente pelo fato de ela ter se tornado comum, corriqueira.

Ex:
  • Pé-da-mesa
  • Maça-do-rosto
  • Cabelo do milho

1.5 Sinestesia

É outro tipo de metáfora, consiste em aproximar na mesma expressão sensações percebidas por diferentes órgãos dos sentidos. Como na metáfora, trata-se de relacionar elementos de universos diferentes.

  • Uma voz áspera intimida a platéia.

Voz (sensação auditiva)
Áspera (sensação tátil)

1.6 Metonímia

Consiste na substituição de um termo por outro, em que a relação entre os elementos que esses termos designam não depende exclusivamente do indivíduo mas da ligação objetiva que esse elemento mostra com a realidade.
Na metonímia um termo substitui outro, não porque a nossa sensibilidade estabeleça uma relação de semelhança entre os elementos tem de fato, uma relação de dependência. Dizemos que na metonímia há uma relação de continuidade entre o sentido do termo que constitui.

a) da causa pelo efeito;

  • Sou alérgico à cigarro. 
cigarro é a causa, a fumaça o efeito.

b) do efeito pela causa;

  • Ele ganha a vida com o suor

c) O abstrato pelo concreto;

  • O amor não ver defeitos

d) do continente pelo conteúdo

  • Ele é capaz de comer vários pacotes de bolachas

e) do nome do lugar pela coisa nele produzida;

Compramos uma garrafa do legítimo porto.

f) do nome do autor pela obra.

  • Gosto de ouvir Mozart
  • Ele Comprou um Portinari

1.7 Sinédoque

É  a substituição de um termo por outro, em que os sentidos desses termos tem uma relação extensa de extensão desigual. Na sinédoque há uma ampliação ou uma redução do sentido usual da palavra.

  • Comer o pão com o suor do rosto

1.8 Antonomásia

O processo de formação das antonomásias é semelhante ao de formação dos apelidos.

Leia atentamente a sentença abaixo, extraída da 


Revista Veja:


“O apelido mais célebre ainda é ‘Dama de Ferro’, mas nas últimas semanas ela se tornou também a ‘Altamiranta Tatcher’ (…)”.

No trecho acima, o autor usa a expressão “Dama de Ferro” para designar a primeira-ministra da Inglaterra, Margaret Thatcher, substituindo seu nome por uma característica da qual se tornou notória.

“O seminário de segunda-feira será sobre o ‘poeta dos escravos’.”

Nesta sentença, a expressão “poeta dos escravos” foi usada para designar o poeta “Castro Alves”, que se tornou conhecido por escrever “O Navio Negreiro”, poema épico-dramático que denuncia a escravização e o modo de transportar os negros para o Brasil, apesar de já vigorar aqui a Lei Euzébio de Queiroz

Quando designamos uma pessoa pelos seus atributos ou por referências a circunstâncias em que se envolveu, estamos fazendo uso da antonomásia. Essa figura de linguagem é muito utilizada nos textos escritos e falados.

Veja alguns exemplos de antonomásia muito comuns no cotidiano:

“O repórter de Canudos” – Euclides da Cunha.
“O engenheiro da palavra” – João Cabral de Melo Neto.
“O rei do cangaço” – Lampião.
“O rei do pop” – Michael Jackson.
“O rei do futebol” – Pelé.
“O Rei” – Roberto Carlos.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS





PIRES, Orlando. Manual de Teoria e Técnica Literária. Rio de Janeiro, Presença, 1981, p. 102.
SAVIOLE, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15 ed. São Paulo, Ática, 404-5.
http://www.infoescola.com/linguistica/antonomasia/










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